Histórico



RODEIO BONITO E SUA HISTÓRIA

ORIGEM DO NOME

Rodeio: (substantivo – locução substantiva) lugar onde habitualmente se reúne o gado para contar, apartar, examinar, marcar, assinalar, castrar, vacinar, dar sal, etc; é também o conjunto de reses reunidas, segundo o Dicionário do Regionalismo Gaúcho.

Bonito: (adjetivo) belo, formoso, segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa.

Quando para este local vieram os primeiros moradores, no final do século XIX e até por volta de 1910, o local era conhecido como Rio da Várzea ou Costa do Rio.

Havia um morador que residia onde hoje é conhecido como localidade de Olaria, chamado Florêncio Câmara de Azevedo que criava gado e muares, as quais viviam soltas onde hoje é a cidade de Rodeio Bonito. Neste local havia uma clareira na mata com um pouco de capim, grama, macega, com que o gado se alimentava e ali comia sal. Por causa disso o local passou a ser chamado de “Rodeio”. E por ser um local bem no alto, com uma vista panorâmica, acrescentou o adjetivo “Bonito”.

OS PRIMEIRO MORADORES

Antes dos primeiros moradores, o território de Rodeio Bonito era formado por uma espessa mata que cobria as planícies e coxilhas como e fosse um imenso tapete verde.

O silêncio era apenas interrompido pelo cantar sonoro dos pássaros e o uivar dos animais silvestres.

Os índios pertenciam à nação dos Coroados e Caigangues e moravam no mesmo local onde residem atualmente e que forma a comunidade Pâ´i-Kar ou Pranchada e que após a vinda do homem branco passou também a ser chamada de Campina do Kanheró.

Com o decorrer dos anos, as terras férteis do local começaram a ser visitadas pelo elemento humano dito civilizado. Isso por volta de 1895, sendo que os primeiros moradores a se estabelecerem em Rodeio Bonito foram os seguintes:

Joaquim do Amaral (Doca Caçador); João Pedro Torma; Tibúrcio Fortes; Teodoro da Veiga; Serafim de Vargas; Florêncio Câmara de Azevedo; José Gonçalves da Silva (Zeca Taquariano); Emílio Corrêa (ex-combatente da Guerra do Paraguai) e Osório Martins (1910).

Em 1923, passaram a residir em Rodeio Bonito o senhor José Anselmo Chereta e Quirino Mendes. Outros mais: Augustinho Mamede de Lima, Claudino José do Amaral, Miceno Pinto Martins, Francisco Martins de Paula, Francisco de Paula Costa, Fidêncio Lucas, Serapião Correia do Amaral, Laurentino Kohlerausch dos Santos e João Maria Portes.

A maioria das famílias antes citadas veio de Palmeira das Missões e algumas, como a família Martins, era originária da região de Sorocaba-SP e foram tropeiros de mulas no auge da comercialização desses muares, enquanto a família Amaral era originária de Bagé-RS.

Especialmente entre os anos de 1895 a 1927, Rodeio Bonito ficou à margem do desenvolvimento. Ninguém se aventurava por essas paragens, pois era uma região de difícil acesso e isolada dos demais, sendo uma das últimas a ser colonizada no Rio Grande do Sul.

OS PRIMEIROS COLONIZADORES

Ângelo Casuni era primo de Osório Martins e morava em Potreiro Bonito, interior de Palmeira das Missões e era aficionado por caçadas. Deslocava-se seguidamente para Rodeio Bonito e numa dessas ocasiões, em 1926, trouxe consigo os amigos Ângelo Giordani e Mateus Militão de Moura – o Mateus Gancho – para caçarem juntos.

Ângelo gostou tanto do local que comprou de Osório Martins 40 alqueires de terras às margens do rio da Várzea, que ficou conhecida como “Posse Giordani”. Construiu uma pequena casa e depois trouxe sua família. Em 1927 recebeu a visita de seu cunhado Primo Savoldi e do irmão deste, Dórico então com 14 anos, procedentes de Sarandi . Primo adquiriu uma gleba e em 09 de março de 1918 transferiu-se para Rodeio Bonito com a família.

Em 1929, procedentes de Espumoso, veio a família de Santo Capitani e de João Pedronsini. Em abril de 1930 passaram a residir em Rodeio Bonito Ângelo e Maria Savoldi, provenientes de Sarandi. Ainda, no mesmo ano, chegaram Antonio Dambrós e a Mateus Militão de Moura. Em 1931, foi a vez de Augusto Bassi. Em 1932, chegaram João Valduga, Pedro Lourenço Poncio. Em 1933, foi a vez de Lourenço, Jacob e Adolfo Bazzanella. Em 1934, chegaram Constante Marangon,  Luiz e João Possamai. Ainda, procedentes de Lajeado, os senhores Pedro Leoanrdo Zwirtes. Em 1935, também de Lajeado, chegaram João e Clemente Ungaratti. Em 1936, Caetano Negri, vindo de Sobradinho. Em 1937, procedente de Não-Me-Toque, aportou a Rodeio Bonito Alberto Krieger.

O SURGIMENTO DA VILA DE RODEIO BONITO

Em 1930, no local onde hoje é a cidade de Rodeio Bonito, não havia nenhum  morador, nem casa ou qualquer outro galpão. Conforme relato de Primo Savoldi, no mês de abril de 1930 foi construída a primeira capelinha medindo 4m x 6m, construída na esquina da Av. do Comércio com rua Osório Martins (atual Posto Ipiranga). O primeiro morador da vila foi o professor Rodolfino Portes da Silva e o segundo morador foi Arlindo Nogueira, este em 1933, que abriu uma pequena casa de negócio e trouxe consigo o “caixeiro” Pantaleão Bueno da Silva. O terceiro morador foi Pedro Ues, que também se estabeleceu com compra e venda de produtos coloniais e venda de mercadorias em geral. O quarto morador a chegar à vila, em 16 de janeiro de 1938, foi Arnildo Zanluchi e seus sócios João e Fioravante Tomazi, os quais montaram uma sapataria e selaria. Em 1939, chegou a Rodeio Bonito a família de José Daris, vindos de Veranópolis.

Posteriormente, outras famílias estabeleceram-se em Rodeio Bonito, entre as quais as famílias de Constante Marangon, Trento, Garbin, Potrich, Ardenghi, Accadrolli, Koop, Caleffi, Ciprandi, Biguelin, Tomazoni, Marcotto, Strapasson, Trombetta, Andretti, Dall´Agnol, Zotti, Zanetti, entre outras.

Conforme palavras de um dos pioneiros: “se existe hoje uma linda cidade, é porque alguém veio antes e iniciou tudo”.

O DISTRITO

O Distrito foi criado com a denominação de Rodeio Bonito, pela Lei Municipal n.º 33, de 16 de junho de 1948, baseado no artigo 16 das disposições transitórias da Lei Orgânica de 09-04-1948, subordinado ao município de Palmeiras das Missões. Esta Lei foi sancionada pelo então prefeito de Palmeira das Missões Pompílio Gomes Sobrinho. O primeiro Sub Prefeito do distrito foi Francisco Palma (Chico Palma) e o segundo foi Primo Savoldi.

Em divisão territorial datada de 01-07-1950, o distrito de Rodeio Bonito, figura no município de Palmeiras das Missões. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 31-12-1963. Elevado à categoria de município com a denominação de Rodeio Bonito, pela lei estadual nº 4667, de 20-12-1963, desmembrado do município de Palmeira das Missões. Sede no antigo distrito de Rodeio Bonito que foi constituído como distrito sede. Foi instalado em 15-04-1964.

Pela lei estadual nº 13, de 20-06-1964, é criado o distrito de Tiradentes e anexado ao município de Rodeio Bonito. Pela lei estadual nº 14, de 20-06-1964, é criado o distrito de Vila Cristal e anexado ao município de Rodeio Bonito. Pela lei estadual nº 15, de 20-06-1964, é criado o distrito de Saltinho e anexado ao município de Rodeio Bonito.

Em divisão territorial datada de 31-12-1964, pela Lei Municipal n.º 61, o município é constituído de 4 distritos: Rodeio Bonito, Saltinho, Tiradentes e Vila Cristal. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1988.

Pela lei estadual nº 9628, de 20-03-1992, desmembra do município de Rodeio Bonito o distrito de Tiradentes. Elevado à categoria de município denominação de Novo Tiradentes.

Pela lei estadual nº 10630, de 28-12-1995, desmembra do município de Rodeio Bonito o distrito de Vila Cristal. Elevado à categoria de município denominação de Cristal do Sul. Em divisão territorial datada de 1999, o município é constituído de 2 distritos: Rodeio Bonito e Saltinho. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

COMISSÃO EMANCIPACIONISTA

A Comissão Emancipacionista foi instalada em 17 de março de 1962 e trabalhou até 20 de dezembro de 1962, quando foi sancionada a Lei Estadual n.° 4.667, de 20 de dezembro de 1963, assinada pelo então governador Ildo Meneghetti, criando o Município de Rodeio Bonito, o qual foi instalado em 15 de abril de 1964, sendo este o “Dia do Município”. Foi relator do processo de emancipação o então deputado estadual de Palmeira das Missões Wilmar Correa Taborda.

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Fontes:

Livros: Rodeio Bonito: Sua História, sua Gente” - autora: Iloni Maria Marangon Dourado e outros - Ed. São José - 1987. “Rodeio Bonito e sua História” - autor: Luiz José Savoldi - Editora Pluma - 2003. ”Só a Imagem Retém o Tempo” - autor: Altair Savoldi – Editora Pluma - 2012 



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